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domingo, 24 de outubro de 2010

Entrevista com Claudia Raia

o ar na novela “Ti-Ti-Ti”, Claudia Raia fala de como o trabalho a ajuda a suportar a separação do ator Edson Celulari, com quem foi casada por 19 anos

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Claudia Raia está deitada com a cabeça dentro do lavatório do salão Studio W, no shopping Iguatemi, em São Paulo. É domingo à tarde e seu cabelo está cheio de algodão. O cabeleireiro Wanderley Nunes confere mecha por mecha. “É a primeira vez que vou ficar loira na minha vida. Tô feliz porque vou continuar com o raciocínio rápido, já que a cor é fake“, fala, às gargalhadas.

Ela já está há mais de quatro horas no salão de beleza, em pleno dia de folga das gravações de “Ti-Ti-Ti”. “Eu brinco que eu não durmo. Eu só acordo”, diz, sobre a rotina de trabalho dos últimos meses por conta da personagem Jaqueline Maldonado, um dos sucessos da novela das sete da Globo. No último domingo, Claudia acordou às 9h para fazer musculação. “Tô toda quebrada, dolorida.”

“Menina, você já tá sabendo que eu recusei um papel no filme sobre o Silvio Santos porque eu não quero atuar com o meu ex-marido? Um filme que nem eu e nem o Edson [Celulari] fomos convidados a fazer”, diz à repórter Lígia Mesquita, referindo-se a notícias publicadas a seu respeito que afirma serem falsas. “E cada hora inventam um namorado.”

“Os boatos chateiam porque são mentira. Tô tão longe desse momento [de namorar alguém]… Estou quieta, caseira.” Em maio, ela e o ator Edson Celulari se separararam após 17 anos juntos. Os dois são pais de Enzo, 13, e de Sophia, sete anos.

“Estamos nos cuidando muito bem nós quatro. É difícil, mas já estamos mais em cima das pernas do que estávamos há dois meses.”

“A minha raiz tá com a 7.1?”, pergunta, sobre a tonalidade da tintura. A mudança radical de visual faz parte da composição de Jaqueline. Ela decide ficar loira para conquistar o amante, o costureiro Jacques Leclair. “Uma das coisas de que mais gosto é que a personagem tome conta da minha vida. O cabelo é dela, não é meu.”

Para ajudar a atravessar “um dos momentos mais delicados da vida”, ela diz que o trabalho tem sido “essencial”. “A Jaqueline é uma obra de Deus em minha vida. É difícil fazer um personagem neste momento, ainda mais de comédia. Não sei de onde tiro forças e humor. Às vezes vou trabalhar arrastada, aí lá me animo.”

“Me dá uma alface velha, pelo amor de Deus. Tô morta de fome”, diz, enquanto aguarda a chegada do almoço. De vestido marrom, coloca um guardanapo no colo e apoia o prato de salada de rúcula com nozes. Depois, come um filé de pescada com purê de batata. “Deixei de comer carne vermelha e derivados de leite há dois meses, por causa da enxaqueca. Agora, tô bem melhor.”

Enquanto fica loira, Claudia liga para Celulari para falar com Enzo. “Tô loira”, conta. “Wanderley, o Edson quer falar com você”, diz ela para o cabeleireiro. “Deixei sua mulher loira!”, ele fala. “Ex-mulher!”, ela corrige, rindo. A seguir, um resumo da conversa com a coluna:

FIM DO CASAMENTO Existiu uma instituição que foi levada muito a sério por nós, defendida e vivenciada de maneira sincera que foi a do casamento. Por isso, acho que foi uma surpresa. As coisas podem terminar. Aí dizem: “Uma história que não deu certo”. Como assim? Foram 19 anos de um amor deslumbrante. Agradeço muito a gente ter tido a inteligência de deixar que não ficasse ruim, de ter tido respeito pela qualidade do nosso amor. Não teve briga, discussão. Teve muita conversa. As pessoas ficam querendo descobrir coisas que não existem."

AMOR ETERNO "Eu achava que a gente fosse ficar velhinhos [interrompe]… Mas acho que vou ficar velhinha do lado dele, porque somos uma dupla. E vamos ser uma dupla sempre. Somos pai e mãe. E agradeço muito por ter feito essa dupla com ele, de ele ser o pai dos meus filhos. Sempre vamos cuidar muito um do outro."

A CASA FICA GRANDE É uma história de amor, né? Um processo leeento. Eu cuido de viver o meu luto que existe. E o do Edson existe também. A gente é amigo, tá junto o tempo todo. As pessoas falam: “Vocês estão de sacanagem?”. Porque a gente almoça, janta junto. Ele pega as crianças na hora em que quer. A gente ri muito, embora ainda seja um luto. Se adaptar à vida sem o outro, à falta que faz. A casa fica grande demais, é um vazio.

FASE CASEIRA Eu sou muito alegre mesmo quando estou triste. Eu só consigo trabalhar na alegria. Não suporto ficar triste. Mas eu fico, claro, sou humana. Vivo o luto, choro quando tenho vontade. Algumas vezes fico amuadinha. Tô muito caseira. Não tenho vontade de sair, tô me respeitando. Tô quietinha, agarrada na minha criazinha. É uma coisa de se fortalecer com o tempo. Estou tentando me reerguer.

MÃEZONA Pareço uma maluca. Monitoro os dois o tempo todo. Enzo está com 13 anos, 1,82 m de altura, calçando 43 . Ele tem uma banda e escreveu a música “Patricinha”, que toca em “Ti-Ti-Ti”. A Sophia tem sete anos. É uma Claudinha com cinco gigabytes. Me vejo muito nela, mas piorada. Ela é mais elétrica. Faz balé, ginástica olímpica. Sou amigona dos meus filhos, brinco, converso, me jogo no chão, mas tem regras e limites para serem seguidos. Educar dá muito trabalho. Hoje em dia vejo que as pessoas não querem ter trabalho. Não é uma crítica, é um alerta pra todos nós. É repetir até entender. Tem que ensinar.

APOIO A COLLOR EM 89 Me arrependo muito. Não só pelo Collor, mas por eu ter me manifestado. Acho que artista não deve se misturar com política. Nunca mais abri minha boca. Tô sempre muito atenta com os candidatos, quero um Brasil diferente como cidadã. Como, quero me abster.

DISCUSSÃO SOBRE ABORTO Acho um absurdo alguém poder ser preso por escolher uma coisa. Estamos onde? Na ditadura? Tem coisas absolutamente conservadoras e retrógradas no Brasil. A pessoa não quer ter um filho, vai e aborta. É uma decisão sua. Deveria ter um poder de escolha pessoal, como acho que deveria ser com o casamento gay. Acho um absurdo as pessoas não poderem se juntar. O Brasil tem um conservadorismo hipócrita. O mundo já tá lá na frente.

ENVELHECE Minha avó dizia que a velhice é bruta. Ela tem razão. Há um abuso do abuso de plástica, da estética. Eu tinha um nariz que eu odiava, operei e amo meu nariz operado. Mas acho que as pessoas estão loucas. Elas querem uma boca que não têm, um nariz que não têm. Isso vai ficando excessivo e as pessoas ficam com cara de meia. Eu quero ter minha cara de 43 anos, um corpo bacana. Se precisar, colocarei botox, mas sem tirar minha expressão. Não me sinto com 43 anos. Tô dando um caldinho ainda, um consomê que seja (risos).

NOVOS DESAFIOS Ainda quero fazer muitos musicais, quero dançar coisas que eu consiga (risos). O próximo vai ser “Cabaret”. E gosto de fazer o que nunca fiz. Não sei se faria monólogo. Eu gosto de gente. Quando me colocam num trailer separado nas gravações da novela, eu falo: “Ai gente, não me deixem aqui. Me botem no ônibus com todo mundo, na confusão”. Não tenho nada dessa coisa diva. Não gosto, acho uma chatice. Adoraria fazer mais cinema. Adoraria trabalhar com o [diretor] Karim Aïnouz e o José Eduardo Belmonte. E com o Almodóvar [Pedro, cineasta espanhol], que é meu sonho. Porque eu sou a cara do Almodóvar. Mas não sei se ele vai achar isso (risos).

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